• Vitor Seravalli

Disney Marathon II

15a. Maratona - 12/01/2012


Se correr a Maratona em Disney World uma vez já havia sido um sonho, então poder repeti-la, certamente, foi algo muito pra lá de especial.

A viagem para Orlando teve o bônus prévio de alguns dias bem frios em Nova York, o que não foi nenhum problema, e depois seguimos para a Flórida.

Para mudar um pouco a dimensão do desafio, fiz inscrição para o que é conhecido lá como “Goofy's Race and a Half Challenge”, ou seja, correr uma meia maratona no sábado e a maratona no domingo.

Apesar do desafio explícito de correr 39,3 milhas em dois dias seguidos, quando isso ocorre naquele ambiente, isso não se traduz em algo assustador, até porque tudo é sempre uma grande festa.

Creio que o único ponto que causa algum incômodo é a necessidade de madrugar de verdade nas duas manhãs das provas e, como a temperatura do inverno mesmo na Flórida é bastante baixa, não há outro jeito senão se proteger.

Mas logo após a largada, todos já entram no clima de descontração e prazer.

No sábado, corri a meia maratona, chamada de Donald Duck Half Marathon, com Cecilia, e pudemos curtir muito cada milha.

Fotos com todos os personagens possíveis fizeram com que o percurso fosse feito em exatas 3 horas. Uma hora a mais que meu tempo normal, mas e daí?

Quem entra na festa, deve se divertir, não é mesmo?

Engraçado mesmo foi fazer uma foto com meu querido amigo Capitão Boing e nem notar que estava ao lado de um super carro da Nascar. Aliás, se não tivessem me avisado sobre o carro, eu nunca saberia.

De qualquer modo, no domingo, decidi fazer algo mais convencional. Me concentrei bem mais e larguei com minha meta definida e ela significava um tempo máximo de percurso de 5 horas.

Confesso que por diversos momentos, tive vontade de parar para mais uma foto, mas como já havia feito isso à exaustão no dia anterior, segui firme rumo ao meu objetivo. E deu certo. Completei minha 15ª maratona em quatro horas e cinquenta e três minutos, completamente inteiro.

Com três medalhas no pescoço, uma pela meia, outra pela maratona e uma terceira pelo desafio de ter corrido as duas provas, foi uma delícia registrar aquele momento numa foto memorável e sob um sol brilhante apesar do frio.

Um detalhe que me chamou à atenção nessa experiência foi a forma como resolvi me concentrar na meta de driblar as distrações e tentações para terminar a prova em menos de cinco horas.

Aliás, essa situação que envolveu juntar um desafio seguido a outro, sem perder o foco, trouxe à minha mente uma reflexão que sempre me acompanhou e ainda reflete algo em que acredito.

Embora não seja algo completamente igual à situação que vivi em Orlando, a coincidência está no fato de aceitar diferentes objetivos seguidos, ou seja, se correr uma maratona já ocuparia o espaço de um desafio importante, por que um corredor se motivaria a correr uma outra prova longa logo na véspera?

Aparentemente, há uma espécie de paradoxo nessa estranha motivação, mas vejo que isso se relaciona diretamente com algo que aprendi em minha vida profissional.

E para falar sobre isso, colocarei aqui a adaptação de uma frase atribuída a Alfonso Milagro, que sempre usei como líder, ou seja, “Se você precisar delegar uma tarefa importante, difícil e desafiadora, procure alguém bastante ocupado. As chances de sucesso certamente serão maiores”.

Pois é, pode parecer contraditório, pois uma pessoa com mais tempo disponível deveria ter claramente melhores condições para fazer algo com maior demanda de trabalho do que alguém já bastante ocupado, mas minha experiência sempre me mostrou que na realidade ocorre exatamente o contrário.

Pessoas que são motivadas pela realização, que gostam de desafios, conseguem sempre resultados muito maiores do que elas mesmas imaginavam ser seus limites, e geralmente se destacam em relação aos ociosos.

Isso não significa que devamos aceitar tudo o que nos delegam, aliás a incapacidade de dizer não já levou muitos bons profissionais ao fracasso, visto que uma coisa é lidar bem com os desafios do planejamento e da gestão de atividades. Outra coisa é se esquecer de que todos tem limites em sua capacidade, mesmo os mais motivados.

Por outro lado, os dias de hoje já não parecem permitir que ociosidade seja algo aceitável.

Além disso, pode parecer mentira, mas às vezes, um aumento de responsabilidade e mesmo complexidade, pode estar acompanhado de sinergias inesperadas e aquilo que poderia significar maior consumo de energia e maior desgaste, acaba simplificando o processo todo.

Lembro-me de um tempo em que eu era responsável por uma equipe de aproximadamente trezentos e cinquenta pessoas, entre funcionários diretos e indiretos, e meu líder me informou que devido a uma mudança drástica e imprevista, eu passaria a gerir uma área bem maior, com mais de oitocentas pessoas e pelo menos mais três unidades produtivas, ou sites como as chamávamos.

Pode parecer mentira, mas aquela mudança simplificou muito o meu trabalho e mesmo os resultados posteriores vieram melhores e mais sustentáveis.

Mesmo hoje, após tanto tempo, percebo que minhas realizações mais relevantes continuam ocorrendo justamente nos momentos em que eu poderia argumentar com toda a razão de que não tenho nem tempo tampouco recursos para mais nada.

Felizmente, dou um jeitinho e quando me dou conta, já me registrei para mais uma maratona.

Vamos nessa?

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