• Vitor Seravalli

Maratón de Buenos Aires


Sempre gostei muito da cidade de Buenos Aires. Aliás, várias são as boas recordações das diversas vezes em que tive a oportunidade de visitá-la. É verdade que a maioria ocorreu durante viagens a trabalho, mas também em viagens a turismo nunca desperdicei a oportunidade de caminhar por suas “Calles”, a Florida, por exemplo. Nem sei quantas vezes ia e voltava, sem qualquer pressa, somente para desfrutá-la da melhor forma possível.

Lembro-me que durante a primeira viagem que fizemos sem preocupações profissionais, caminhamos por horas pelos mais diferentes lugares da cidade e somente paramos, exaustos, para dormir em um hotel central, já pensando em visitar outros pontos turísticos na manhã seguinte.

Assistir a um show de tango, caminhar pela Recoleta, passear sem pressa pela feira de Santelmo, jantar em Puerto Madero, atravessar a Avenida 9 de Julio vindo de um almoço na Avenida Corrientes. Somente, ficou uma pendência ainda aberta de assistir a uma ópera no belíssimo Teatro Cólon.

Não há dúvidas que a rápida lista do parágrafo anterior foi incompleta e até injusta, pois uma cidade maravilhosa como Buenos Aires possui realmente muitas outras coisas lindas para ver e desfrutar do que as citadas por este turista comum.

Então, por que não ampliar esse conhecimento correndo numa manhã de domingo em uma das mais valiosas maratonas que já pude correr?

Pois isso, ocorreu na primavera de 2011.

Chegamos no aeroporto de Ezeiza na sexta-feira à noite e confesso que estava bastante ansioso e com ótimas expectativas para mais essa experiência. O jantar de chegada ocorreu num restaurante italiano, que serviu uma massa de qualidade duvidosa e vinho com gelo. A indicação do taxista foi um início diferenciado, infelizmente para pior. Mas, no dia seguinte, não foi difícil encontrar diversas outras excelentes opções.

Na manhã de domingo, com o tempo bastante nublado, larguei completamente descontraído e a corrida foi leve. Realmente, em dias sem sol, correr uma maratona para mim é muito menos desgastante. Manter controle sobre a meta de correr o percurso abaixo de cinco horas, nessas condições é algo que consigo sem grandes problemas.

E ainda fica mais fácil quando consigo me preparar bem, como nesse caso. Porém, o grande segredo, se é que eu possa chamá-lo assim, está no processo de mentalização que precede à busca de meu objetivo. No momento em que me concentro na meta de chegar bem, algo dentro de mim, se estrutura de modo singular.

E foi assim, que desfrutei de novos lugares, como circundar La Bombonera, o estádio onde joga o famoso Boca Juniors, e muitos outros lugares não citados até agora.

Para comemorar, um novo jantar com ótima massa e um excelente Malbec em Puerto Madero no Marcelo Restaurante, fechou com chave de ouro minha 14ª. maratona.

Mas, gostaria de voltar à palavra mentalização, que mencionei como fator de sucesso nessa corrida.

Os principais dicionários não definem este termo com muitos detalhes, mas ele é bastante utilizado como um conceito psicológico. Sempre o compreendi como uma forma de priorizar o foco pleno em meus pensamentos, principalmente quando eles se traduzem por objetivos que desejo ou preciso alcançar. Às vezes, são pequenos desafios apresentados inesperadamente e que precisam ser enfrentados no curto prazo. Por exemplo, nem me lembro quantas vezes fui designado “a toque de caixa” para falar em público sem que tivesse tido o tempo mínimo para uma boa preparação além de alguns míseros minutos. Nessas ocasiões, quando isso acontecia com maior frequência, eu sempre acionava meu processo próprio de mentalização, pensava em alguns tópicos, os ordenava em minha mente, respirava fundo e após alguns segundos, relaxava, como se nada mais fosse necessário do que manter uma boa circulação de sangue em meu cérebro, uma respiração longa e equilibrada com uma valiosa e costumeira confiança em minha espiritualidade.

Tenho consciência de que nunca estive próximo de qualquer nível que pudesse ser posicionado como perfeito, pois nunca tive essa ambição. Por outro lado, não me lembro de alguma intervenção que houvesse se aproximado de uma autoavaliação ruim. E olhe que sempre fui muito exigente nisso.

De modo contraditório, meu nível normal de concentração esteve sempre mais próximo de um grau de dispersão maior do que eu mesmo gostaria, mas nos momentos em que essa tal mentalização era e ainda é ativada, tudo muda.

A ótima notícia é saber que o uso da mentalização como uma máxima prioridade estratégica para meus objetivos, vale também para os desafios maiores e estes podem variar desde uma deliciosa maratona por paisagens inesquecíveis, ou situações de risco com grande potencial de impactos e, principalmente, para os grandes projetos de minha vida.

Acredito que as pessoas com forte orientação a resultados, confirmem a força e a importância de uma consistente mentalização, e aquelas que não sabem o que isso significa, não imaginam o que estão perdendo.

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